quarta-feira, maio 02, 2007

Baunilha e Chocolate

A noite já se tornara madrugada, por muito que se matasse a sede num copo durante a noite, continuávamos a ter sede, sede de conversar, de rir, de roubar um toque de lábios sedentos. Aproximaste-te, eu aproximei-me, em cada silêncio que fazíamos;
Roubamos os lábios um ao outro…. Os nossos lábios.
- “Não te apaixones.”
-“ Não! não me apaixono.”
Os silêncios que fazíamos, enquanto desejamos a pele um do outro em pontas de dedos hesitantes, eram melodizados pela música castelhana que tinhas escolhido, argumentando um novo mundo musical, fazendo prolongar, mais ainda, a nossa conversa. E rir, fizemo-nos rir.
Cansamos as palavras…os nossos lábios.
Desejávamos um ao outro. Dançamos, num passo desajeitadamente travesso.
Apenas as nossas peles eram secretamente envolvidas pela luz madrugadora, que entrava timidamente pela janela.
As nossas sombras moldaram-se na parede, eram iguais, nem a parede sabia as nossas cores, eram os nossos olhos da mesma cor.
Os dois sabores fundiram-se, baunilha e chocolate, tornaram-se num misto e indescritível sabor…os nossos lábios.
O teu frio queria o meu calor, o meu calor queria o teu frio, encaixamos os nossos corpos e amamo-nos. A baunilha da minha pele desejava o toque teu chocolate. Os nossos lábios, apenas os nossos lábios. Os nossos braços, o nossos lábios.
a manhã tornou-se tarde, hora de nos separarmos,
- eu vou!
- não, fica por favor!
-não te apaixones!
- não, não quero!
Mas levo comigo os teus lábios...os nossos lábios

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