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sábado, outubro 13, 2007
sexta-feira, outubro 12, 2007
Ave de tronco
Água de sal que me conservas a pele quente do basalto negro abrindo o chão e mostrando o coração de um passado fadado.
Terra de corsários, piratas, capitães, condes e barões, mares que escondem histórias jamais conhecidas.
Verde que cobre o delírio de um desassossego ainda hoje desencontrado, verde que brotar tranquilidade trazendo silêncio à lágrima caída, sossegando corações proibidos de amar.
Lagoas alimentadas pela chuva desgraçada que cai triste sobre o betão escondido nas entranhas do violento magma esquecido, instigado a se apagar, obrigado a morrerem para dar a vida.
Oxalá não me entristeça meu fado, adormecido no mar acostado, debaixo das estrelas esquecidas. Anseio pela lua, ela ainda não voltou, espero…
Procuro a fadiga para refúgio, o búzio par ouvinte o mar como conselheiro, um gato assustado para acariciar.
Na tentativa de acalmar o desassossego, solta-me a mão ao cabelo passando na face, quando ouço o som da viola
Procuro e espero, não sei…
terça-feira, outubro 09, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
Madredeus-Adeus
O que pareceu, foi.
Era incapaz de trajar as negras vestes, recusara-me a acreditar que me ia vestir pela última vez, arrancaram-me de mim, de ti.
No palco foi único, emocionante, arrepiante de uma alegria jamais sentida, outro sabor.
Poder tocar ao fim de 2 anos pela última e primeira vez…
O ar que se respirava estava cheio de emoções, os olhos de toda a gente que eu observava tinham outro sentido, uma mensagem diferente, nova. É os olhos de quem tirou o contrabaixo das suas mãos e colocou-o nas minhas, aqueles olhos, nunca os vira assim, aqueles olhos abraçaram-me.
Se procurasse uma definição para magia escolheria aquele momento.
Toquei como há muito tempo não tocava, vibrei com o grito das suas cordas.
Relembrei-me mais uma vez o quanto me iria fazer falta aquele palco, aquela gente.
Hora de voltar, hora de despedidas, e agora? Quando nos voltamos a ver?
Pensar a na minha vida sem “nós” ela tornou-se uma incógnita, não consegui ver futuro que me enquadrasse sem o “nós”. Habituar-me a não ver os vossos rostos?! Os vossos risos!? As vossas vozes!? Estar sem ti?! Sem os teu olhos, os teus gestos que me enchiam de força!
Tivemos que nos despedir. Arrancar-me de ti depois de um longo abraço, sabia-me a crueldade sair dos teus braços, o mundo era perfeito no teu colo, tinhas tanto calor.
Ir e não querer.
Querer estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo mas tão distantes.
Ainda agora encontro-me a sorrir sozinha porque me recordo assim do nada, os nossos episódios na maioria cómicos e muitas vezes, no teu jeito singular de ver e reagir ás coisas. Viajo, vou longe no pensamento.
Vivi, acaricie, amei, em cada casa que estive, em casa me senti, fui filha de uma Cidade que decidiu cuidar de mim, cantei para ela, cantei ao rio, cantei-te ao ouvido.
Vou, mas vou feliz! Soubeste ver o melhor em mim.
Agora sentada numa secretária com estranhos à minha volta, numa sala quente, desenho no meu papel branco um contrabaixo.
Então alguém mais curioso pergunta com sotaque brasileiro.
- Você toca?
- Sim, já toquei
- Como se chama isso?
- Contrabaixo
- É mesmo?! Sabe, você tem cara de quem toca isso mesmo.
domingo, outubro 07, 2007
Silencio-Madredeus
O que posso fazer sem te ter por cá?
Apenas acompanhar o silêncio de um lugar que fazes já parte.
Observar toda a beleza e fazer silêncio a pensar em ti e sorrir...
Chuva
A voz, a paixão a algria e o destino do fado, eis a que eu chamo, alma e coração na voz.
PS: a "maninha" enviou-me e eu amei,como se isso não fosse possivel:)
