quarta-feira, janeiro 30, 2008

Horizonte



Cá em cima, onde o vento sopra com a força da lua e da maré, neste monte repleto de grutas de arvoredos, musgos
húmidos e salgados. Cá em cima avistei o teu horizonte, tentei tocar-te quando tentava agarrar a nuvem.

O vento soprava debilmente no meu ouvido, avisando-me de ti.

Mergulhei.

Gelei.

Lutei contra a maré, contra o meu corpo.

Precisei mais de ti do que tu de mim e num egoísmo insano das minhas entranhas vertiginosas debati-me nas
lágrimas que guardara, tinha-as guardado no coração, com o passar do tempo criaram crosta e paralisaram-no como
o calcário encrosta e paralisa as engrenagens das máquinas.
Lá em baixo o mar assalta toda a costa basáltica rompendo em verde água a espuma alcoolizada.

Descer a colina sem ter a ideia de como fazê-la, torna-a mais perigosa…
Pude fruir sombra e abrigo da árvore que cresceu com raízes e ramagens de igual modo, sem que o vento a derrube
e não murche por falta de seiva.

Escolhi-a para nós, fico a aguardar que, na estação certa, ela nos cubra de frutos e flores.
Os caminhos são tantos lá em baixo tanta ruela se abre, esperam eles que escolha um caminho ao acaso.

Vou sentar-me e esperar. Respirar com a mesma profundidade confiante que respirei no dia que nasci, sem me
distrair vou esperar e voltar a esperar, em silêncio, quieta para ouvir o coração. Quando ele me falar, levanto-me e vou
onde ele me levar.

domingo, janeiro 27, 2008

Por detrás do teu cabelo o sol era dourado, olhei para o rochedo á nossa frente e reparei na espuma salgada que caida como pó mágico nos teus sedosos cabelos.
Aquando das tuas perguntas reparei que a inocência dos meus olhos haviam morrido, já deixara de ver o mundo como tu estavs agora a conhece-lo....mas lembro-me como o via, sim lembro-me de como sabia bem ser Outono, saber cheiras a terra, as flores lá do jardim e os ananáses da estufa, lembro-me dos dias de chuva, lembro-me de ouvir as crianças e os passaros no meio da manhã a brincar na escola lá em frente, lembro de procurar ninhos, de perseguir o gato julgando que me fazia uma visita guiada às vinhas dos vizinhos.
Sim, lembro-me de ser primavera e olhar andorinhas . Em meio verão ver os morcegos dançarem perto do telhado de casa, construir papagaios, assustar galinhas, andar descalça na terra quente do sol.
Sim lembro-me de estar sem electricidade em noites de tempestade e brincar ás escondidas, jogar cartas á luz de vela...
Sim... lembro-me, mas esta inocência que tens , já eu não tenho, libertei-as nas lágrimas que deixei cair.
ver-te, vej0-me.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Ilhas de Bruma IV

Apagar-me no verde entre o azul, deixar-me...sentar-me no colo da tua ausência
sonhando o teu sorriso, amando os teus gestos, as linhas do teu pequeno corpo.
feliz... a pensar que o tempo está a apagar os dias que faltam para te abraçar

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Hoje III




Hoje deixaste que libertasse as palavras... e chorei

sexta-feira, janeiro 11, 2008



O pintor esqueceu-se
de que há olhos
que merecem
um título, a que é preciso
dar um nome. E, se a cor
deles se ausenta
e recolhe
no vinco das patas
ou das sandálias
do vento a que o seu corpo
distendido dá forma
abreviada e transparente, não basta
a linha curva da asa
que lhe sustenta os flancos
para lhe chamar o voo
do pássaro nocturno?
Albano Martins
(in "A Voz do Olhar" 1998;"
Agenda Poética 2000 -
50 Anos de Vida Literária",
Edições Universidade
Fernando Pessoa,
org. Beatriz Werget, 1999)

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Cabeça de Nefertiti





Ainda

sorri

para dentro

e é sorrindo

que dorme

no sono róseo

do quartzo. Há

na sua boca,

adormecida,

uma borboleta

escarlate

à espera

que uns lábios

húmidos

a despertem

e lhe devolvam

as asas



.(in «A Voz do Olhar»,

Edições Universidade

Fernando Pessoa, 1998)

Albano Martins

(1930)

Foto by: Olhares


terça-feira, janeiro 08, 2008





Eu tenho, um nome, que é o teu, gravado na minha mão,


eu tenho um som que é o teu, gravado ma minha voz,


eu tenho um gemido que é o nosso, gravado na minha pele


eu tenho um amor, que é o meu, gravado na árvore do jardim


Nós temos um sentimento que nos insulta que é a saudade


eu tenho os olhos com água quando penso nos teus


eu fico de coração quente quando penso nas tuas mãos


eu desço ao vale mais profundo quando oiço a tua voz


eu guardo o abraço, o teu


eu tenho um segredo só meu, que és tu


Por fim, cresce o rio no olhar quando digo dentro de mim de boca serrada


de peito palpitante,


triste por não poder dizer-lo diante de ti....


amo-te.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Hoje II



Hoje deixaste que libertasse as palavras... e voei.








quarta-feira, janeiro 02, 2008

terça-feira, janeiro 01, 2008

Júlio Pereira

Dedicado à Sofia

Maré de Agosto
Sta.Maria
Açores