sexta-feira, janeiro 11, 2008



O pintor esqueceu-se
de que há olhos
que merecem
um título, a que é preciso
dar um nome. E, se a cor
deles se ausenta
e recolhe
no vinco das patas
ou das sandálias
do vento a que o seu corpo
distendido dá forma
abreviada e transparente, não basta
a linha curva da asa
que lhe sustenta os flancos
para lhe chamar o voo
do pássaro nocturno?
Albano Martins
(in "A Voz do Olhar" 1998;"
Agenda Poética 2000 -
50 Anos de Vida Literária",
Edições Universidade
Fernando Pessoa,
org. Beatriz Werget, 1999)

2 comentários:

tufa tau disse...

talvez baste... e para que serve o nomear, titular?

Gui disse...

tufa tau:
"... basta a linha curva da asa que lhe sustenta os flancos..."