
Os teus diamantes
Aproximei-me dele, não por minha vontade. Baixei o olhar para o chão gasto e húmido.
Pergunta-me ele: porquê? Respondo, com os olhos salgados de tantas gotas se encherem, que a tinha magoado por conseguinte tinha-se apoderado de mim uma tristeza perdida.
Procurou serenamente o olhar envergonhado que eu tinha escondido, fazendo um gesto delicado, desenhando na nevada barba curta, um terno e doce sorriso. Ergueu o seu cansado braço direito (que o tempo não se esquecera de envelhecer atormentado pelo reumatismo que nos dias mais húmidos do Outono se sentia com mais frequência) levando a sua trémula e pálida mão à minha testa e desta saíu uma força estranhamente suave e agradável, que entrara por entre os meus poros, uma força que me atravessava o corpo e me refrescou, como uma lufada de ar fresco me secasse de tanta tristeza. A sua serenidade e sabedoria fizeram-me leve o coração. O relógio parou, estagnação de todo o espaço. Surpresos, os meus olhos procuraram os seus, e assim, colamos o nosso olhar e estes se misturaram como se de uma onda de cores se suspeita-se.
A lágrima que percorria o meu rosto, alojou-se no meu lábio tremido. Sorriu-me, levantou-se do banco e caminhou para longe até eu o perder de vista, foi embora! Deixou-me sozinha! Agora que precisava da sua mão!
Deixei-me estar, tentando meditar e “rebobinar” na minha mente tudo o que acontecera naquele banco. Notei, então, que a pressão desaparecera e que o peso no meu coração se tinha evaporado.
Sequei lentamente as lágrimas, ergui a cabeça, a paz voltara em mim, apoderei-me da minha força e saltei do banco, respirei bem fundo, senti o sol que me abraçava e aquecia, embebedei-me do vento que me lavava a cara e o cabelo. Caminhei para junto dela e pintei-lhe um sorriso e os seus olhos esboçaram diamantes. Os diamantes que sempre procurei em ti, encontrei-os naquele momento.
Durante aquele dia o seu toque prevaleceu em mim, como ainda hoje eu o consigo sentir…e o teu olhar de diamantes ficaram-me na memória.
