
A viver o meu dia a dia de estudante, desabituada aos zumbidos ruidosos dos carros pela manhã. Dei por mim a presenciar uma agitação necessária para o tempo não parar. O rugir de uma multidão avassaladora assustou -me pela manhã fria, quando penso que antes de te conhecer, Invicta aromatizada de cores e luzes, o meu acordar era outro; tranquilo com o mar a apoiar-se à minha janela e uma brisa quase inexistente trazendo no seu bolso o aroma salgado de uma beleza intocável.
Hoje, assim estou, moça perdida nas ruas da cidade, quando por súbitos instantes, rompe–se a minha agitação matinal, o meu pensamento feérico encontra-se em ti, tentando imaginar por entre a multidão que me contorna, como terá sido hoje o teu acordar e se antes disso, descansaste calmamente.
Entre passos rectos e decisivos até encontrar a meta do meu percurso, entre cruzamento de olhares, passadeiras e semáforos atravessados, crescendo em mim o frenesim e a respiração agitada, penso na tua tranquila manhã. Tento imaginar que fazes esta manhã.
Sou evadida pela tua presença nebulada, então divido-me em ti e em mim.
Na azáfama do fim da tarde, regresso a casa, entreguei as minhas forças ao dia que passou. Por momentos, nas entrelinhas do meu pensamento, imagino que estejas em casa à minha espera e quando chegar, dizes: Olá princesa!…( Implacidez minha!)
Na bruma da noite, eu ligo-te, tu não atendes; tu ligas-me, eu não atendo. Por fim, acabamos por nos encontrar numa troca de vozes, sem temer o silêncio que se aloja por entre as nossas palavras e risos, dizemos que adora-mos um ao outro, escondendo ,por detrás da voz , os olhos humedecidos pela saudade.
Boa noite meu querido.
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