sexta-feira, março 28, 2008

quarta-feira, março 26, 2008





A solidão espalhada p´los penedos

Embrulha a alma em folhas de saudade

A noite acorda o sabor dos segredos

E traz nos dedos a cor da vontade


E só a voz da lua é que me amansa

E me adormece ao canto da gaivota

No fim do mundo o tempo quebra a dança

E o vento lança aromas de outra rota


O sol acalma como um grão de areia

E dorme enquanto espera a madrugada

Em cada noite escura há uma candeia

Em cada ceia uma fome adiada


Em cada grito há uma voz calada

Encruzilhada p´lo meio do caminho

Em cada sono há uma alma acordada

Desnorteada como um burburinho


Ouvi dizer o povo e o povo bem o sabe

Nem mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe


Mal amanhece o horizonte espreita

Enquanto espera p´lo raiar do dia

Já se adivinha o calor que se ajeita

E o chão aceita o fim da noite fria


Rir da tristeza chorar da alegria

Abrir caminhos como um peregrino

Deixar que a vida traga outro dia

Fazer folia a meias com o destino



Sebastião Antunes

terça-feira, março 25, 2008



Que se foda o mundo, eu quero o cheiro do teu corpo para sobreviver.
foto by. olhares.com




Hoje tornei-me em peixe

A espinha dura rompeu a minha pele,

o meu sangue misturou-se

no sangue do triste peixe.

hoje tornei-me peixe

hoje fui mar, sal

fui a lua cheia e som,

fui espuma branca da onda perdida

hoje fui peixe,

o sangue dele misturou-se no meu.

Nas veias correu-me sal.



foto by my brother




domingo, março 23, 2008



"...Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,

e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,

e não desejei mais minhas máscaras.

E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas

máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a

segurança de não ser compreendido,

pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."


"O Louco" de Khalil Gigran
foto by my brother




Branco

só o mais escuro branco consigo desenhar

e no branco da folha de papel

vasculho do vale ao monte

caminho sem mim

sábado, março 22, 2008

Quem és tu / eu?

Quem és tu?

Vulto escondido nas escuras sombras dos rochedos salgados.

Será que és a desfolhada dos sonhos de milho,

trazendo contigo as canções de embalar?

Arquitecto das incertezas e fraquezas adulteradas

sabotador da seiva rica da árvore mãe.

A inquietude que a paz me levou, ou não,


adormeçara na minha cabeceira, quando acordará ela?

Em que dia saberei se o que me enraíza é amor ou outro tipo de comodismo qualquer?

Que na inesperada altura o vulcão dos sentidos explode,

as mágoas,

liberta os magmas de lágrimas encrostadas,


adormecendo os risos de lava aos pés do meu leito.

Corre, sã, de espírito descoberto,


mergulha o coração na poeira do oceano e chama-me pelo nome,


apenas quero que me chames.

Liberta as velas ao vento, impotência de grandezas,


viscerais descobertas

Não perguntes se é maldição ou tentação,


afinal que diferença faz.

Quem és tu vulto escondido nas negras ondas


que explodem na falésia fatigada.

Quem és tu que deixas me vulnerável,


fazendo viajar à criança que ainda alimento,


presenteando teu passo indeciso e tonto,


o teu hálito e voz alcoolizada.


Faço companhia, mas se a queres fá-lo em silêncio,


não me dirijas a tuas palavras alcoolizadas, porque elas,


mesmo inocentes e engraçadas,


ferem-me


o cheiro que sai delas,


é o cheiro que faz voltar e revoltar


o que tento enterrar na mais profunda lagoa.

foto by: guigui


quarta-feira, março 19, 2008



Não é o coração
Não é o coração
mas esta carne
em seu rumor.

Não é o coração
mas teu silêncio
de intenso furor.

Não é o coração
mas as mãos
sem corpo, vazias.

Na grave melodia
de um instante
tu e eu
em desequilíbrio
na infame
consistência
de um absoluto
obstáculo.


Ana Marques Gastão
Nocturnos
Canções com palavras
Gótica
2002

terça-feira, março 18, 2008

Onde vi o que não fui?

segunda-feira, março 17, 2008

O que me faz rir
O que me faz seguir
o que me faz sentir
o que me faz crescer
O que me faz verdadeira
O que me faz crente
O que me faz lutar
são a magia dos teu braços



"Eu não sei o que ei de te dar


nem sei inventar frases bonitas


mas aprendi uma ontem


só que eu já me esqueci


então, olha


gosto muito de ti!"

Sebastião Antunes


domingo, março 16, 2008

Se fazes questão de te exibir,

se finges que não existo

então pára de me procurar

pára de me olhar,

que eu já não te sinto à muito

hoje sou eu quem ri

Por isso , meu caro " vizinho"

não passes na minha rua para me procurar

eu já não estou lá à tua espera.

sábado, março 15, 2008

quinta-feira, março 13, 2008




Nos escombros do meu navio

encontro os sonhos no meu jazigo

e com a força dos braços pesco o descontentamento infeliz

nado nas minhas águas bravas do cabo das tormentas.

o teu rugir nao me amedronta,

o teu cabelo pouco me encanta,

São os teu olhos, meu adamastor,

que me despem da minha voz

e me encorralam na ilha

leito da nossa paixão
Foto by:olhares

quarta-feira, março 12, 2008


Se me deitar aqui, perto de ti,
seguras-me a mão para te sentir
e esquecer o resto do mundo?
E ajudas-me a esquecer que amanhã as nossas peles já não se tocam?
Esquece que amanhã já não estaremos deitados sobre a mesma cama.
Olha-me apenas nos olhos e sorri,
cala-me com os teus beijos,
aperta-me nos teus braços.
Envolve-me com o teu corpo e oferece-me o teu cheiro,
para não me esquecer que cheiras a rio, sol, vento e sal.
“ E se…?”
- “Levava-te comigo, para lugar nenhum,
para todo o lugar,
como o vilão rapta a actriz de cinema, raptar-te-ia.”
Quero o agora.
Agora estou dentro dos teus braços...
Foto by: Olhares

segunda-feira, março 10, 2008

Saí
acabou por hoje.
Já cheira a noite, lembrei – me das nossas noites.
Demorei no passo sem pressa, para acabar de recordar na companhia do cigarro e da lua cheia que iluminava a calçada velha e descambada.
Um avião sobrevoou a cidade e o desejo de estar dentro daquele ”passaporte de liberdade”
crescia à medida que o coração batia fortemente,
sonhando no nosso reencontro, no calor que me enche, no afecto que me transforma terna.
Auto-estrada, 100Km: Não devia aqui estar,
já nem o encanto da lua e da noite me anima.
Auto-estrada, 120km:Aumento o volume do rádio,
abafando assim o som das lágrimas que abriram caminho pelo rosto abaixo:” não devia aqui estar!”
O carro fez de piloto automático, afogada na vontade da auto estrada crescer para alem da costa sobre o oceano. Cheguei a casa sem me lembrar do caminho percorrido, olhos cansados, não tenho fome…
Falei contigo ao telefone, sempre que falamos é como voltasse a ser, a nascer a sorrir, mas volto a morrer mais um pouco quando chega à hora de desligar, quando volta o silêncio, quando a tua voz deixa de me aquecer no frio da solidão.
Hoje é o teu dia, eu não devia estar aqui!
No dia do teu aniversário.
19/02/2008



Os nossos caminhos voltaram-se a se separar.
Parti, novamente, e a dúvida fica em suspensão; quando será a próxima vez?
Deixei-te no armazém das partidas, adorando todos os traços do teu sorriso,
quanto mais te olhasse, poderia eternizar o teu sorriso na memória.
Abraços, sorrisos, carinho, lágrimas.
O avião começa a descolagem e a muda voz em mim gritou de pânico tosco,
apertando todas as células do meu corpo, todas as veias do meu coração:
”Não quero ir”.
Sinto que vou soterrar no campo minada da guerra que sei que tenho de lutar,

aquela sem outro nome a não ser o meu.
A teimosia da lágrima cai sobre o papel escuro quente da minha mão,
agora sinto a distância, agora sei que é real.
Olho a janela e lá em baixo vejo terra, a tua…
aquela que caminhas, que procuras, dormes, ris e choras.
Deixa-me “levar-te” comigo e nas manhãs de aguaceiros e frio,
olhar a brancura da tua pele e serenidade da tua respiração.
O calor da tua face.
Ansiei a aterragem, para te poder ligar, para te ouvir.
O coração aquece e enche, mas a boca cala-me,
deliciei cada teu e meu silêncio, e gravei o som da tua voz.
Agora, voltar ao dia a dia de todos os dias que virão,
parece-me que estive dentro de um sonho,
que doce sabor tem a minha pele e o coração cheio de ti (todas).
Forte, sinto-me forte, um pouco mais.
Encontrei longe de onde eu vim um encanto que nem sei descobrir,
caminhei, acabei por te seguir.
Desculpa é difícil de transpor, e agradecer…falta-me as palavras.
Amo…

sexta-feira, março 07, 2008

O cigarro chegou ao fim...
A chavena de café está vazia...
Hora de ir embora.

quarta-feira, março 05, 2008

Dumbo's Leaving on a Jet Plane

Não sei se amanhã terei mais palavras em que pensar para poder agradecer,pode ser que amanhã ou outro dia qualquer, vos possa agradecer.
Não vou triste, não vou como da ultima vez, eu vou ficando e vou indo ao som da maré,ás ondas do nosso amor, eu vou indo.
Obrigada!Desculpem, não consigo encontrar outra palavra melhor. Obrigada!
Escusado será dizer que espero anciosamente e de braços abertos todas voçês.
Naõa há palavras, apenas música, porque só através desta, sei exprimir, chorar, rir e libertar-me.

Amo-te!

domingo, março 02, 2008

Se eu te podesse ter...