segunda-feira, março 10, 2008

Saí
acabou por hoje.
Já cheira a noite, lembrei – me das nossas noites.
Demorei no passo sem pressa, para acabar de recordar na companhia do cigarro e da lua cheia que iluminava a calçada velha e descambada.
Um avião sobrevoou a cidade e o desejo de estar dentro daquele ”passaporte de liberdade”
crescia à medida que o coração batia fortemente,
sonhando no nosso reencontro, no calor que me enche, no afecto que me transforma terna.
Auto-estrada, 100Km: Não devia aqui estar,
já nem o encanto da lua e da noite me anima.
Auto-estrada, 120km:Aumento o volume do rádio,
abafando assim o som das lágrimas que abriram caminho pelo rosto abaixo:” não devia aqui estar!”
O carro fez de piloto automático, afogada na vontade da auto estrada crescer para alem da costa sobre o oceano. Cheguei a casa sem me lembrar do caminho percorrido, olhos cansados, não tenho fome…
Falei contigo ao telefone, sempre que falamos é como voltasse a ser, a nascer a sorrir, mas volto a morrer mais um pouco quando chega à hora de desligar, quando volta o silêncio, quando a tua voz deixa de me aquecer no frio da solidão.
Hoje é o teu dia, eu não devia estar aqui!
No dia do teu aniversário.
19/02/2008

4 comentários:

Adelaide Carneiro disse...

Também acho que devias estar aqui =)

Gui disse...

=)e vou estar, mas não hoje; "amanhã"

Adelaide Carneiro disse...

Esse "amanhã" chegará como se fosse "hoje" =)

Gui disse...

Fico a torcer que seja assim =)