quarta-feira, março 26, 2008





A solidão espalhada p´los penedos

Embrulha a alma em folhas de saudade

A noite acorda o sabor dos segredos

E traz nos dedos a cor da vontade


E só a voz da lua é que me amansa

E me adormece ao canto da gaivota

No fim do mundo o tempo quebra a dança

E o vento lança aromas de outra rota


O sol acalma como um grão de areia

E dorme enquanto espera a madrugada

Em cada noite escura há uma candeia

Em cada ceia uma fome adiada


Em cada grito há uma voz calada

Encruzilhada p´lo meio do caminho

Em cada sono há uma alma acordada

Desnorteada como um burburinho


Ouvi dizer o povo e o povo bem o sabe

Nem mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe


Mal amanhece o horizonte espreita

Enquanto espera p´lo raiar do dia

Já se adivinha o calor que se ajeita

E o chão aceita o fim da noite fria


Rir da tristeza chorar da alegria

Abrir caminhos como um peregrino

Deixar que a vida traga outro dia

Fazer folia a meias com o destino



Sebastião Antunes

Sem comentários: