Quem és tu?
Vulto escondido nas escuras sombras dos rochedos salgados.
Será que és a desfolhada dos sonhos de milho,
trazendo contigo as canções de embalar?
Arquitecto das incertezas e fraquezas adulteradas
sabotador da seiva rica da árvore mãe.
A inquietude que a paz me levou, ou não,
adormeçara na minha cabeceira, quando acordará ela?
Em que dia saberei se o que me enraíza é amor ou outro tipo de comodismo qualquer?
Que na inesperada altura o vulcão dos sentidos explode,
as mágoas,
liberta os magmas de lágrimas encrostadas,
adormecendo os risos de lava aos pés do meu leito.
Corre, sã, de espírito descoberto,
mergulha o coração na poeira do oceano e chama-me pelo nome,
apenas quero que me chames.
Liberta as velas ao vento, impotência de grandezas,
viscerais descobertas
Não perguntes se é maldição ou tentação,
afinal que diferença faz.
Quem és tu vulto escondido nas negras ondas
que explodem na falésia fatigada.
Quem és tu que deixas me vulnerável,
fazendo viajar à criança que ainda alimento,
presenteando teu passo indeciso e tonto,
o teu hálito e voz alcoolizada.
Faço companhia, mas se a queres fá-lo em silêncio,
não me dirijas a tuas palavras alcoolizadas, porque elas,
mesmo inocentes e engraçadas,
ferem-me
o cheiro que sai delas,
é o cheiro que faz voltar e revoltar
o que tento enterrar na mais profunda lagoa.
foto by: guigui

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