sábado, março 22, 2008

Quem és tu / eu?

Quem és tu?

Vulto escondido nas escuras sombras dos rochedos salgados.

Será que és a desfolhada dos sonhos de milho,

trazendo contigo as canções de embalar?

Arquitecto das incertezas e fraquezas adulteradas

sabotador da seiva rica da árvore mãe.

A inquietude que a paz me levou, ou não,


adormeçara na minha cabeceira, quando acordará ela?

Em que dia saberei se o que me enraíza é amor ou outro tipo de comodismo qualquer?

Que na inesperada altura o vulcão dos sentidos explode,

as mágoas,

liberta os magmas de lágrimas encrostadas,


adormecendo os risos de lava aos pés do meu leito.

Corre, sã, de espírito descoberto,


mergulha o coração na poeira do oceano e chama-me pelo nome,


apenas quero que me chames.

Liberta as velas ao vento, impotência de grandezas,


viscerais descobertas

Não perguntes se é maldição ou tentação,


afinal que diferença faz.

Quem és tu vulto escondido nas negras ondas


que explodem na falésia fatigada.

Quem és tu que deixas me vulnerável,


fazendo viajar à criança que ainda alimento,


presenteando teu passo indeciso e tonto,


o teu hálito e voz alcoolizada.


Faço companhia, mas se a queres fá-lo em silêncio,


não me dirijas a tuas palavras alcoolizadas, porque elas,


mesmo inocentes e engraçadas,


ferem-me


o cheiro que sai delas,


é o cheiro que faz voltar e revoltar


o que tento enterrar na mais profunda lagoa.

foto by: guigui


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