Viagem
Os meus pés descolaram do teu chão, pela última vez enchergo o teu verde que me enche os pulmões, o azul que me refresca e me banha de sal me acolhendo em meditação. O teu cheiro desperta-me a alma.
Julguei a hora longe de chegar, mas ela fora rápida sem me dar tempo de te abraçar. A hora marcada arrancou-me de ti sem piedade. A distância, determinada por entre sargaços e cetáceos habitantes deste nosso mar, faz-nos assim, esconder, uma da outra, as nossas lágrimas e receios.
A única certeza e consolação que trago é o teu cheiro entranhado numa rocha e a tua voz que não consegue mentir quando dizes “sim”, fazendo-me pensar que estás bem.
Parti e voltei. Preciso partir, viver, abraçar o futuro longe de ti, para voltar em seguida cheia de beijos matando a minha fome de ti. Não posso negar, pertenço-te não consigo fugir por muito tempo.
Agora vou, cheia de ti e da tua tranquilidade, contagiada pelos teus sons, e sombras flutuantes, rendo-me a pensar na minha pequenez. Na bagagem trago o verde e o teu azul que pintaste na minha alma. O rosto que trago na fotografia de hoje está mais envelhecido daquele que eu tinha trazido da última vez que nos despedimos. O teu corpo cada vez mais frágil fazendo-me temer o inevitável.
Cheguei, os meus pés aterraram em ti sem eu dar por mim, como se de um sono tivesse despertado, acolheste-me como eu nunca pensei ser acolhida, sorriste para mim, cantas-te para mim, ofereceste-me a negra capa que sonhei ter, recebi abraços e beijos de ti, fazendo-me entender que tiveste saudades minhas, relembrando-me que a ti já eu pertenço sem saber…Sim! Meu Porto és tu! Sim! Minhas queridas companheiras e amigas são vocês! Fizeram-me passar por um momento único e lindo (que eu tenho que encontrar as palavras para um dia contar).
OBRIGADA