Dos teus lindos olhos, pregão de uma rouca voz de tanto gritar ao mar e à montanha a tempestade que se avizinha.
Esconderam-se os homens na taberna para afogar a frustação de não ir ao mar.Arrumaram-se as mulheres em casa com os filhos com medo do homem que voltasse da tasca maldita.
Não há chuva nem trovoada que a assuste mais do que o som da porta a abrir e da bota pesada e descanbada que entra embriagada pelo soalho da casa adentro.Dos filhos ele ganha medo em lugar de respeito."hoje não há peixe!"
De manhã, com a tempestade já calma e o sol a raiar e as flores já a dançar, ela sai bem cedo a arranjar comida para o dia, ele ressacado fica na cama até tarde.
As vizinhas saem de manhã à rua , não se olham, bem sabem elas que partinham as mesmas dores de corpo, escondem umas das outras a nódoas por baixo do xaile.Fazem- se despercebidas e esquecidas das vidas tão iguais,escondendo o olhar de vergonha.
De volta a casa, aquecem o leite, levem-lo junto á cama dos filhos mudam o rosto e a eles mostram o sorriso do olhar.
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