Dormiria a minha face no teu peito se ainda o universo o quisesse e se o universo somos nós, quem sabe, se ainda eu quisesse. Em buscas nos recondidos contos e recantos de cada floresta, em cada terra e grão de areia, fica o grito preso de árvore em árvore transportado pelo vento.
O formigueiro crescente no corpo, paralisa os sentidos e torna susceptivel a âncora enraizada por entre corais falsos. Eu quero ouvir por entre os dedos o estalo da mão pesada na mesa, traduzindo o inconformismo de uma vida calada. Não há verso, não há retorno, apenas o medo e a preguiça do próximo passo. Se não ali estivesses, não teria tanto a perder e a hesitar .Não há lençois por baixo do corpo, o cabelo poderá ser lã, os olhos azuis, peqenos botões por cima dos lábios escarlate em borboleta.
Aqui o tempo marca mais no rosto, pesa mais no corpo. Aqui o tempo pára para chorar em frente ao mar, desejando o sonho. Procura os velhos rostos e esquece-se da lua nova.
Aqui o tempo beija os peixes, as árvores e as gentes pelo sabor de um arco-iris escondido por entre vales e furnas solitárias.
Depois de estar a fazer sentido nenhum em palavra qualquer, o silêncio funde o mar o vento e a noite numa ondulação de embalar, ensinado a insónia a fechar os olhos e encontrar paz e sossego neste desassossego.
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