terça-feira, janeiro 23, 2007

A Menina de Cabelos Castanhos.

O mar sabia a saudade que a menina lhe tinha, todos os dias olhava intrigada para as ondas, deixando morrer o seu olhar no misteriosos rochedo que habita silenciosamente calmo no mar, com as raízes petrificadas, rompendo a monotonia do horizonte, de mãos dadas com o mistério e a magia.
Os cabelos castanhos da menina escondiam o olhar saudoso e o fervoroso desejo de sentir na pele as bolhas salgadas do azul quente.
Caminha, sozinha, em terra desbravada, descalça e de mãos calejadas, com olhar recto ao mar, vai agora, destemida e acelerada.
Banha os pés, distinguindo o calor do coração e os pés nus de frescura. Respira bem fundo até os pulmões se saturarem de tanto sal. Lança-lhe um olhar minucioso, como que lhe estivesse a cumprimentar, ou até, pedir-lhe autorização para entrar nas suas espumas.
Mergulhou nas suas águas, deixou que as ondas a levassem, sentiu toda a energia de uma natureza absorvente, despertando os seus sentidos e sensações. Amando todas as ondulações no seu corpo, deixando-se beijar por beijos salgados suaves e cuidadosos, entregando-se á comunhão entre os dois.
De longe olhou o sol a despedir-se dela, deixou-se abraçar calorosamente. Todo o seu corpo era frescura, todo o seu espírito era paz e o seu cabelo castanho flutuava nas ondas cansadas que desmaiavam na praia.
Mais nada rodeava a comunhão dos beijos entre os dois. O seu corpo mergulhava mais fundo nas águas buscando o prazer sentido num beijo fresco na sua pele.
A noite começou a nascer, lembrando que tinham de se separar, a menina de cabelos castanhos encontrou areia firme, caminhou para a praia, saiu do atlântico, levando com ela as gotas salgadas nos poros, não as secou, deixou que o vento as levasse.
Lançou-lhe um olhar de despedida, mas alegre, despediram-se, viraram costas e a menina caminhou descalça de pés frescos na terra desbravada, com mãos calejadas, brandas e puras olhando em todas as direcções, sentindo ainda o corpo e os seus cabelos a flutuar nas ondas, vai agora de lábio rasgado e os cabelos castanhos suportados nos ombros, vais agora leve a voar no beijo que lhe transporta, vai agora lavada de cansaço.

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