quinta-feira, janeiro 18, 2007




Chama Acesa

A madrugada vai longa, o sono não me assusta nem me pesa o olhar, deixo-me ficar sentada, sustentada pela luz de uma vela, um cigarro que insiste em fumegar e uma musica da rádio que, de vez em quando, faz sentido no ouvido distraído.
O pensamento rebola como uma bola de neve, crescendo a cada olhar lançado na chama trémula à minha frente.
Por momento perece que sinto paz, sim, finalmente por momentos repartidos de cada pensamento e olhar.
Mais um cigarro, a caneta insiste em páginas brancas, mais uma página escrevi na calma madrugada de nevoeiro, mas não me lembro o quê.
Fim-de-semana, relembro os últimos dias de alegrias, saudades mortas e outras reacessas, caras e corações conhecidos, amizades vividas, olhando uma a uma, alimentando-me da sua força. Como estarão? Como se sentirão? Como me sinto?
A caneta flúi procurando preocupadamente a linha do meu pensamento e ele continua perdido numa página branca. Procuro-me em alguém, tropeçando em mim mesma escapo na cera derretida da vela companheira.
Viajo no nevoeiro lá fora que abraça e gela as luzes do horizonte…escondi-me! Não me encontro.
A lágrima, não tem sentido, mas não importa, deixo que role na pele.
Por momentos penso em ti, só em ti, penso no quanto de adoro, como te quero conquistar e estupidamente afasto-te de mim e repelo-me do toque do teu olhar.
Ah! Como te adoro, Oh! Como te quero bem.
Como me tornei temida de mim mesma, temo o temor, como que me espiasse cada passo que dou numa calçada desnivelada à espera que tropece em mim mesma.
O passado mais longínquo já o perdoei, preciso que o passado presente me perdoe.
Constante luta esta, contra mim mesma e ao medo.

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