quinta-feira, janeiro 11, 2007

Os ponteiros monótonos do relógio indicavam a hora para partir, vou triste, despeço-me de todos com um beijo,

como se fosse um “até logo”, evitando lágrimas, por segundos estagnados, tornou-se insustentável o sentimento de

falta e vazio, cansada destes momentos, cansada de ter de te deixar mais uma vez.

Ultima chamada para o Porto, minutos depois, uma chamada para a mãe a dizer que já subia as escadas do avião.

Ocupei o meu lugar, e através de uma janelinha irritante, que me separava de todo aquele ar fresco. Já no alto das

nuvens, olhei cuidadosamente até onde o meu olhar atingia, procurando reconhecer todas a ruas, localidades e

falésias aproveitando até ao último instante aquela beleza. O bom tempo que se sentia propôs que eu conseguisse

ver quase toda a parte sul da Ilha, enquanto isso, jurava a mim mesma que tudo isso um dia valerá a pena.

O avião aproximou-se da minha vila e lá de cima avistei o nosso lar. Sentir que a única coisa que me unia

fisicamente, a quem pertenço, era a distância do meu olhar facilmente fez-me crescer as lágrimas, sem ter vontade

de as suster, a visão desapareceu logo depois de mergulhar nas nuvens e ai, só a visão monótona de nuvens e mar

me acompanhou nesta viagem.

Quando aterrei o coração saltava-me eufórico de emoção, afinal, também sabe bem voltar abraçar as amigas.

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