Os ponteiros monótonos do relógio indicavam a hora para partir, vou triste, despeço-me de todos com um beijo,
como se fosse um “até logo”, evitando lágrimas, por segundos estagnados, tornou-se insustentável o sentimento de
falta e vazio, cansada destes momentos, cansada de ter de te deixar mais uma vez.
Ultima chamada para o Porto, minutos depois, uma chamada para a mãe a dizer que já subia as escadas do avião.
Ocupei o meu lugar, e através de uma janelinha irritante, que me separava de todo aquele ar fresco. Já no alto das
nuvens, olhei cuidadosamente até onde o meu olhar atingia, procurando reconhecer todas a ruas, localidades e
falésias aproveitando até ao último instante aquela beleza. O bom tempo que se sentia propôs que eu conseguisse
ver quase toda a parte sul da Ilha, enquanto isso, jurava a mim mesma que tudo isso um dia valerá a pena.
O avião aproximou-se da minha vila e lá de cima avistei o nosso lar. Sentir que a única coisa que me unia
fisicamente, a quem pertenço, era a distância do meu olhar facilmente fez-me crescer as lágrimas, sem ter vontade
de as suster, a visão desapareceu logo depois de mergulhar nas nuvens e ai, só a visão monótona de nuvens e mar
me acompanhou nesta viagem.
Quando aterrei o coração saltava-me eufórico de emoção, afinal, também sabe bem voltar abraçar as amigas.
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