quarta-feira, janeiro 30, 2008

Horizonte



Cá em cima, onde o vento sopra com a força da lua e da maré, neste monte repleto de grutas de arvoredos, musgos
húmidos e salgados. Cá em cima avistei o teu horizonte, tentei tocar-te quando tentava agarrar a nuvem.

O vento soprava debilmente no meu ouvido, avisando-me de ti.

Mergulhei.

Gelei.

Lutei contra a maré, contra o meu corpo.

Precisei mais de ti do que tu de mim e num egoísmo insano das minhas entranhas vertiginosas debati-me nas
lágrimas que guardara, tinha-as guardado no coração, com o passar do tempo criaram crosta e paralisaram-no como
o calcário encrosta e paralisa as engrenagens das máquinas.
Lá em baixo o mar assalta toda a costa basáltica rompendo em verde água a espuma alcoolizada.

Descer a colina sem ter a ideia de como fazê-la, torna-a mais perigosa…
Pude fruir sombra e abrigo da árvore que cresceu com raízes e ramagens de igual modo, sem que o vento a derrube
e não murche por falta de seiva.

Escolhi-a para nós, fico a aguardar que, na estação certa, ela nos cubra de frutos e flores.
Os caminhos são tantos lá em baixo tanta ruela se abre, esperam eles que escolha um caminho ao acaso.

Vou sentar-me e esperar. Respirar com a mesma profundidade confiante que respirei no dia que nasci, sem me
distrair vou esperar e voltar a esperar, em silêncio, quieta para ouvir o coração. Quando ele me falar, levanto-me e vou
onde ele me levar.

2 comentários:

tufa tau disse...

se estás confiante vai... onde ele te levar!

Gui disse...

TUFA TAU:
:) sim, tenho cada vez mais razões para o escutar.
Abraço