Corre pensamento corre e não pares, bate na parede ou na gente, faz ricochete. Pensamento que confunde abala e entristece.
O sentimento que se torna silêncio, silêncio que procurei e que agora já me evadiu, apoderando-se da minha fala, serrando-me os lábios, tornando intensa a vontade de fechar os olhos, deixar de ouvir, e sentir de longe o grito do vento a chamar-me.
Silêncio inoportuno que me afasta do mundo e de mim, que me transporta para o sitio de onde vim e que nem sei onde é, mas que transporta para longe, bem longe daqui.
Silêncio que te culpo, e me envergonhas transformando-me incógnita neste espaço redondo rodeado de gente de quem me escondo.
Silêncio que desejo, esperando debilmente que me acordes dele, na tentativa de descobrir que afinal estava na tua companhia, que a solidão, afinal, era apenas uma ilusão minha, que o meu coração esteve sempre quente e o meu sorriso sempre aberto.
Sacode-me o corpo e grita para mim, ri para mim, canta para mim, fala para mim, faz-me despertar do mutável sono que me cala, do silêncio que quero mas não controlo.
sexta-feira, novembro 17, 2006
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